Antes de ocupar uma posição de articulação institucional na saúde, Milva Pagano aprendeu a ler sistemas pelo Direito. Foi a formação jurídica que lhe deu repertório para compreender estruturas, responsabilidades e limites. Mas foi a saúde que ampliou essa leitura.
Na trajetória que construiu entre saúde suplementar, gestão executiva e saúde corporativa, Milva entendeu que nenhuma decisão no setor é apenas normativa.
“Minha forma de liderar nasceu desse encontro: traduzir complexidade, construir pontes entre diferentes perspectivas e buscar soluções que sejam, ao mesmo tempo, tecnicamente consistentes e viáveis na prática.”
Essa capacidade se tornou central quando assumiu a Diretoria Executiva da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), em janeiro de 2021, no auge da pandemia. A medicina diagnóstica estava no centro da crise e o momento exigiu, segundo ela, serenidade, proximidade e decisões baseadas nas melhores evidências disponíveis.
Mais do que responder à crise, a Abramed precisava avançar de uma atuação reativa para uma presença mais antecipatória e propositiva. Sob sua liderança, foram reforçados comitês técnicos, escuta dos associados, uso de dados, diálogo com órgãos reguladores e comunicação sobre o valor da medicina diagnóstica para todo o sistema.
Milva compreende que não basta reunir empresas de diferentes portes, especialidades e realidades, é preciso transformar diferenças em agenda comum. Sobre representar interesses diversos, ela afirma:
“Legitimidade não é algo que se declara; é algo que se constrói continuamente.”
Um exemplo dessa atuação foi a cooperação técnica entre Abramed e Ministério da Saúde para padronizar e integrar dados de exames de notificação compulsória à Rede Nacional de Dados em Saúde.
Milva lembra que os exames estão presentes em todo o ciclo de vida e influenciam cerca de 70% das decisões médicas. Ainda assim, muitas vezes são tratados apenas como item de custo. Para ela, essa visão precisa ser superada: diagnóstico de qualidade orienta prevenção, detecção precoce, estratificação de risco, definição terapêutica e acompanhamento.
Sua liderança também se expressa na forma como conduz debates entre os agentes que permeiam a Associação:
“Dialogar não significa ser neutra nem abrir mão de princípios.”
Diante da IA, da digitalização e da análise de dados, Milva diz que inovação só se justifica quando entrega benefício concreto ao paciente. Isso exige governança, validação, supervisão humana, segurança cibernética, proteção da privacidade e regulação proporcional ao risco. A tecnologia deve complementar o trabalho médico, não substituí-lo.
Reconhecida entre os 100 Mais Influentes da Saúde 2026, Milva enxerga a homenagem como parte de uma construção coletiva. Ela deseja contribuir para que a medicina diagnóstica seja reconhecida como base de um sistema mais preventivo, integrado, eficiente e orientado por evidências. Também quer fortalecer uma Abramed técnica, plural, ética e capaz de transformar conhecimento setorial em propostas de interesse público.
“Se eu deixar como legado instituições mais fortes, espaços mais inclusivos e decisões que melhorem de fato a vida das pessoas, terei cumprido meu propósito.”