O São João de Deus Complexo de Saúde, em Divinópolis, passou por uma reconstrução que começou na cultura. Quando Elis Regina Guimarães assumiu a liderança, encontrou equipes desanimadas diante do risco de fechamento da instituição. A primeira virada, segundo ela, foi convencer as pessoas de que o cenário poderia ser diferente.
“Como líder você [deve] falar que pode ser diferente, dá para fazer diferente”, relembra.
A partir daí, vieram a busca por parceiros, a reestruturação financeira, a reorganização dos processos e a construção de uma gestão voltada à segurança, à resolutividade assistencial e ao uso inteligente de dados.
Diretora-executiva da Fundação Geraldo Corrêa — São João de Deus Complexo de Saúde, Elis lidera uma das maiores estruturas filantrópicas de Minas Gerais, referência para 191 municípios e 3,4 milhões de pessoas. Com formação em gestão estratégica, governança clínica, qualidade, riscos e liderança em saúde, ela consolidou um modelo que integra DRG, protocolos assistenciais, indicadores de desempenho, gestão de riscos e eficiência no uso de leitos e centro cirúrgico.
O impacto aparece em resultados assistenciais, operacionais e sociais. A instituição registrou melhoria no DRG, aumento de atendimentos com os mesmos recursos, crescimento no NPC e melhor desempenho em auditorias externas. Também ampliou gratuidades e avançou na implantação da cirurgia robótica para cérebro e coluna, disponibilizando inicialmente 100 procedimentos gratuitos para pacientes do SUS.
Para Elis, inovação só faz sentido quando amplia acesso e qualifica o cuidado. A aquisição do equipamento robótico, somada à parceria com a Brainlab, fortaleceu a atuação em cirurgias de coluna e cérebro com inteligência artificial e posicionou a instituição como referência na América Latina para formação médica na área.
“Essa inovação tem permitido decisões clínicas mais assertivas e uma gestão proativa dos riscos assistenciais”, afirma.
A IA também passou a redefinir a própria noção de qualidade.
“A qualidade, quando vem a inteligência artificial, passa por uma grande inovação e passa a ser orgânica, viva”, diz Elis.
Na prática, isso significa mapear riscos institucionais, assistenciais, financeiros e jurídicos, antecipar gargalos e liberar as equipes para aquilo que considera central: o cuidado.
A executiva relata que a tecnologia reduziu tarefas repetitivas e abriu espaço para uma assistência mais humana:
“A gente deixou de crescer a equipe, a gente cresceu mais no cuidado”.
Esse equilíbrio entre inovação e sentido assistencial tornou-se um eixo da sua liderança.
“Com certeza meu maior desafio está em equilibrar o propósito com esse high tech que vem chegando aí a passos largos”.
O reconhecimento entre os 100 Mais Influentes da Saúde reflete, para Elis, uma construção coletiva. Ela acredita que é uma reflexão do empenho de sua equipe, comprometida com o propósito de transformar a filantropia em saúde em um sistema bem gerido.
Em resumo, Elis defende uma saúde mais integrada, orientada por valor e sustentada por dados, tecnologia e articulação entre hospitais, planos e poder público:
“Acredito que o maior legado de uma gestão é a construção de instituições que aprendem continuamente”.