Em um sistema de saúde cada vez mais complexo, ampliar a qualidade da assistência depende de muito mais do que avanços clínicos. Liderança, governança e planejamento passaram a ocupar um papel decisivo na construção de instituições mais sustentáveis e preparadas para responder às necessidades da população.

Há profissionais que transformam a saúde atendendo pacientes. Outros ampliam esse impacto ao criar condições para que instituições inteiras ofereçam uma assistência melhor. Ao longo de sua trajetória, Anis Ghattás Mitri Filho construiu esse caminho ao reunir experiência clínica, empreendedorismo e gestão em torno de um mesmo propósito: fortalecer organizações para ampliar a qualidade do cuidado.

Médico de formação, o executivo percebeu que a gestão poderia gerar resultados que ultrapassam os limites da atuação individual. Foi essa compreensão que o levou à liderança de projetos e, mais recentemente, à presidência da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP).

“Hoje continuo sendo médico em essência, mas encontrei na gestão uma forma de ampliar meu compromisso com a saúde da população”. 

Ao longo da carreira, experiências na saúde pública, privada e filantrópica moldaram sua visão sobre os desafios do setor. Para Mitri, independentemente do modelo de atuação, o propósito permanece o mesmo: oferecer assistência de qualidade por meio de organizações cada vez mais eficientes e sustentáveis.

A criação do CECAM consolidou princípios que seguem presentes em sua atuação, como planejamento, melhoria contínua, desenvolvimento das pessoas e uma cultura de gestão voltada à inovação.

À frente da AHOSP, essa visão se traduz no fortalecimento do diálogo entre hospitais, gestores, profissionais, indústria, academia e poder público. Em um cenário de pressão assistencial e desafios financeiros, a entidade busca estimular soluções colaborativas que contribuam para a sustentabilidade e a qualidade da saúde.

Segundo o executivo, equilíbrio financeiro, inovação e qualidade assistencial são pilares inseparáveis. Por isso, a AHOSP vem ampliando iniciativas voltadas à qualificação profissional, governança, certificações e transformação digital.

“Queremos que a AHOSP seja reconhecida não apenas como uma entidade representativa, mas como uma parceira estratégica para hospitais e serviços de saúde.”, afirma o executivo. 

Para Mitri, o perfil das lideranças também evoluiu. Além do conhecimento técnico, gestores precisam dominar temas como governança, análise de dados, experiência do paciente e compliance, sem perder de vista as competências humanas que sustentam a tomada de decisão.

Nesse contexto, inteligência artificial, automação e análise de dados tornam processos mais eficientes e apoiam decisões clínicas e administrativas. Ainda assim, ele reforça que a tecnologia deve fortalecer e nunca substituir a relação entre profissionais e pacientes.

“Precisamos utilizar a tecnologia para liberar tempo das equipes, melhorar processos e qualificar o cuidado, preservando aquilo que sempre será insubstituível na medicina: a relação humana, a empatia e o acolhimento”, conclui. 

Ao olhar para o futuro, Mitri acredita que liderar significa assumir desafios, ouvir diferentes perspectivas e atuar em favor do interesse coletivo. É essa convicção que orienta seu legado: contribuir para um sistema de saúde mais eficiente, inovador, sustentável e humano, no qual gestão e assistência caminhem juntas para transformar organizações e, principalmente, vidas.

Leia essa e outras matérias na edição 105 da Revista Heathcare Management