Na visão de Cesar Higa Nomura, a medicina diagnóstica nunca se limita ao resultado de um exame. Ela começa antes da imagem e se completa quando a informação produzida ajuda a mudar uma conduta, reduzir incertezas e orientar melhor a jornada do paciente.
Diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês e presidente do Conselho de Administração da Abramed, Nomura construiu sua trajetória entre a atuação médica, a pesquisa, o diagnóstico por imagem e a liderança executiva. Foi na radiologia que compreendeu que a qualidade diagnóstica depende de uma cadeia coordenada: protocolos, equipamentos, fluxo de dados, comunicação com equipes assistenciais, tempo de resposta e experiência do paciente.
À medida que assumiu novas responsabilidades, passou a enxergar a gestão como extensão da medicina.
“O médico cuida de cada paciente; o médico que também lidera pode organizar um sistema capaz de cuidar melhor de milhares de pessoas.”
Sua formação na USP, da graduação à livre-docência, consolidou disciplina, rigor científico e compromisso com a formação de pessoas. No Massachusetts General Hospital, ligado à Harvard Medical School, ampliou seu olhar sobre a integração entre pesquisa, inovação, assistência e organização dos serviços. Ainda assim, para Nomura, liderança não se forma apenas em títulos: nasce também da convivência com equipes, pacientes e problemas complexos.
Essa compreensão orientou um dos projetos mais representativos de sua atuação: a internalização do Laboratório de Análises Clínicas do Sírio-Libanês. A decisão trouxe para dentro da instituição uma área central para pronto atendimento, UTI, centro cirúrgico e demais frentes assistenciais. O laboratório próprio foi construído com alto nível de automação, IA e integração inédita na América Latina entre pontos de coleta e a esteira dedicada aos exames de urgência.
As amostras passaram a chegar ao processamento em segundos.
“Tecnologia só faz sentido quando se traduz em mais agilidade, precisão e segurança para o diagnóstico”, afirma o diretor.
Para Nomura, esse projeto simboliza a passagem do diagnóstico de uma etapa complementar para uma dimensão contínua do cuidado. Os dados diagnósticos devem apoiar prevenção, estratificação de risco, escolha terapêutica e acompanhamento. Quando circulam de forma segura e interoperável, deixam de ser apenas registros isolados e passam a produzir valor assistencial.
O mesmo critério orienta sua avaliação sobre inteligência artificial, automação e análise avançada de imagens. Antes de incorporar uma tecnologia, a primeira pergunta deve ser: qual problema ela resolve e qual benefício mensurável oferece ao paciente.
“Ganho de velocidade sem confiabilidade não é inovação; é risco”, afirma.
Em relação à liderança, Nomura defende coerência, transparência e respeito à competência técnica. A divergência, quando bem conduzida, ajuda a revelar riscos e qualificar decisões. A pandemia reforçou esse aprendizado: serenidade, colaboração e comunicação clara são tão importantes quanto a tecnologia.
Reconhecido entre os 100 Mais Influentes da Saúde 2026, ele busca contribuir para a construção de um cuidado mais integrado, preventivo, preditivo, personalizado e participativo.
“O legado que me interessa é ter ajudado a formar pessoas, fortalecer instituições e consolidar uma medicina diagnóstica tecnicamente excelente, colaborativa e verdadeiramente centrada no paciente”, finaliza.