A trajetória de Eduardo Ernesto Chinaglia no cooperativismo médico começou na prática assistencial, antes das funções executivas. No contato direto com pacientes e na vivência como médico cooperado, ele afirma ter compreendido que:

“O cooperativismo vai além de um modelo de organização: é a construção de soluções coletivas para desafios”.

Ao longo de quatro décadas, Chinaglia percorreu diferentes instâncias do Sistema Unimed. Presidiu a Unimed Leste Paulista por 14 anos, atuou na Federação Intrafederativa Centro Paulista, onde começou como diretor de planejamento e chegou à presidência, foi diretor operacional e presidente da Unimed Fesp e, hoje, preside a Unimed Participações.

Essa passagem por cooperativa local, federação e estruturas nacionais ampliou sua compreensão sobre liderança em um sistema diverso.

“Essa trajetória me ensinou que liderar não é concentrar decisões, mas criar as condições para que as instituições se fortaleçam, cooperem entre si e estejam preparadas para os desafios do nosso tempo”, afirma.

Na presidência da Unimed Participações, essa visão se traduz em estratégia. A companhia atua como braço do Sistema Unimed voltado a identificar oportunidades, estruturar novos negócios e integrar empresas parceiras. O objetivo é apoiar cooperativas em frentes como eficiência operacional, gestão hospitalar, modernização tecnológica, diversificação de receitas, investimentos e inovação.

Para Chinaglia, a responsabilidade muda quando as decisões deixam de impactar apenas uma cooperativa e passam a alcançar o conjunto do Sistema.

“O impacto das decisões ultrapassa os limites de uma única cooperativa.”

Por isso, liderar, nesse contexto, significa olhar além do resultado imediato e construir estruturas que permaneçam relevantes ao longo do tempo. Essa lógica orienta o fortalecimento de empresas como ADMEX, Unimed Axis, UniBlue, Plataforma Digital, InvestCoop e Seguros Unimed, cada uma com papel complementar na geração de valor.

A diversidade das cooperativas aparece como um dos principais ativos do modelo. São organizações de diferentes portes, mercados e realidades, unidas por princípios comuns. Na leitura de Chinaglia, transformar essa diversidade em inteligência coletiva é uma das vocações da Unimed Participações.

“Sempre acreditei que a maior riqueza do Sistema Unimed reside em sua diversidade.”

A proposta é identificar necessidades compartilhadas, estruturar soluções escaláveis e colocá-las à disposição do Sistema, respeitando a singularidade de cada região. Quando uma Unimed aprimora a gestão de recursos próprios com a Unimed Axis, moderniza seu parque tecnológico por meio da UniBlue, amplia receitas com a Plataforma Digital ou ganha eficiência na administração de carteiras com a ADMEX, o impacto vai além da solução local: fortalece a competitividade da cooperativa e contribui para um Sistema mais sustentável.

Nos últimos anos, esse movimento também avançou por meio da integração com a Unimed do Brasil no Projeto Sinergia, iniciativa voltada à cooperação tecnológica e ao compartilhamento de dados, conhecimento e inteligência. “

Vejo a inteligência compartilhada como um dos maiores diferenciais do cooperativismo”, afirma.

Para ele, quando experiências individuais se transformam em soluções estruturadas e acessíveis, cria-se um ciclo de desenvolvimento que preserva a autonomia e amplia a capacidade de inovar.

Chinaglia destaca a consolidação da Unimed Participações como uma empresa capaz de gerar valor por meio de negócios estruturados e complementares. No primeiro semestre de 2026, a companhia alcançou o melhor desempenho operacional de sua história, com resultado operacional de R$ 383,9 milhões, 54,8% acima do orçamento, lucro líquido de R$ 389,2 milhões e ROAE equivalente a 200% da Selic média.

Mais do que resultados de uma gestão específica, ele vê esses indicadores como sinal de uma estrutura preparada para apoiar o Sistema de forma permanente.

“A transformação mais importante foi consolidar a Unimed Participações como uma empresa que gera valor para as cooperativas por meio de negócios estruturados e complementares.”

Nesse cenário, a sustentabilidade das cooperativas passa pela capacidade de fazer escolhas estratégicas. A pressão de custos assistenciais, a transformação digital, a modernização das estruturas e a necessidade de novas fontes de receita exigem investimentos que nem sempre seriam viáveis isoladamente. A Unimed Participações, segundo Chinaglia, não substitui as cooperativas em suas decisões.

“Criamos instrumentos para que elas tenham mais alternativas para decidir e crescer de forma sustentável.”

“Acredito que esse seja o grande diferencial da Unimed Participações: transformar necessidades comuns em soluções estruturadas para todo o Sistema”, resume.

A governança é outro eixo central de sua liderança. No cooperativismo médico, ela ganha relevância ampliada pela necessidade de conciliar diferentes interesses em torno de um propósito comum. Para Chinaglia, há três dimensões que precisam seguir evoluindo: clareza de papéis entre governança e gestão, tomada de decisão baseada em dados e visão de longo prazo.

A primeira dimensão permite reduzir sobreposições e dar autonomia à gestão para executar a estratégia com responsabilidade. A segunda qualifica decisões a partir de informações confiáveis, indicadores e análises consistentes. A terceira projeta o futuro do cooperativismo para além de ciclos administrativos.

“Temos responsabilidade sobre instituições que precisam permanecer fortes para as próximas gerações.”

Esse raciocínio também orienta sua visão sobre autonomia e integração. Chinaglia rejeita a ideia de que os dois conceitos sejam opostos.

“Autonomia e integração não são conceitos opostos.”

Para ele, a autonomia permite que cada cooperativa decida de acordo com sua realidade, enquanto a integração possibilita enfrentar desafios comuns por meio do compartilhamento de conhecimento, tecnologia, competências e soluções.

“Integração não significa uniformidade, nem centralização. Significa criar conexões que permitam que experiências e capacidades de uma parte do Sistema possam gerar valor para as demais.”

O futuro do cooperativismo, em sua visão, passa por essa capacidade de cooperar sem perder identidade.

Ao refletir sobre liderança, Chinaglia evita personalizar conquistas.

“Nunca enxerguei o legado como algo ligado a uma pessoa.”

Para ele, o verdadeiro legado de um dirigente está nas instituições que ajuda a fortalecer e na capacidade de prepará-las para continuar evoluindo, independentemente de quem esteja à frente delas.

Reconhecido entre os 100 Mais Influentes da Saúde 2026, Chinaglia projeta o futuro a partir da combinação entre essência cooperativista e coragem para inovar.

“Tenho confiança no futuro da Unimed porque vejo um Sistema sólido, formado por pessoas comprometidas e por instituições que continuam evoluindo.”

A frase sintetiza uma liderança que enxerga influência não como marca pessoal, mas como capacidade de fortalecer estruturas coletivas. Afinal, como resume, “lideranças são transitórias; instituições fortes permanecem”.