Inovar em saúde não significa apenas desenvolver uma tecnologia sofisticada. Para Franco Pallamolla, o desafio está em transformar conhecimento em soluções capazes de chegar à prática, responder a necessidades reais e gerar impacto para profissionais e pacientes.

Essa visão acompanha sua trajetória na indústria de dispositivos médicos e sua atuação institucional no setor. Desde o início dos anos 2000, quando passou a participar mais ativamente da Abimo, o executivo ampliou sua compreensão sobre o papel da indústria no desenvolvimento da saúde brasileira.

“Um país só constrói uma indústria forte quando também constrói instituições fortes”, afirma Pallamolla, ao destacar a relação entre desenvolvimento tecnológico, políticas públicas e fortalecimento do ecossistema de saúde.

Na liderança da Lifemed, essa perspectiva se traduz em uma estratégia que combina planejamento, pesquisa e aproximação com universidades. Para o executivo, porém, tecnologia não determina sozinha o sucesso de uma solução.

A discussão sobre inovação também passa pela capacidade brasileira de produzir tecnologia. Pallamolla defende que a indústria de dispositivos médicos seja tratada como estratégica, especialmente diante da dependência de produtos importados em áreas críticas.

O executivo aponta a necessidade de políticas de Estado que ofereçam previsibilidade para investimentos, estimulem a produção local e ampliem a transferência de tecnologia. A Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde representa, em sua avaliação, um avanço, mas precisa ser acompanhada de instrumentos concretos para fortalecer a indústria nacional.

Esse movimento depende da articulação entre indústria, universidades, hospitais, profissionais e poder público. O ambiente regulatório e o acesso ao mercado também fazem parte dessa equação.

Entre as transformações que devem impactar o setor, a Inteligência Artificial ocupa posição central. O empresário acredita que a tecnologia poderá ampliar a capacidade dos profissionais ao analisar dados, aumentar a eficiência e apoiar processos assistenciais.

Mais do que substituir atividades humanas, a IA pode devolver aos profissionais um recurso cada vez mais escasso: tempo. Ao automatizar tarefas burocráticas, a tecnologia pode abrir espaço para aquilo que exige escuta, acolhimento e relação humana.

“Quanto maior for a utilização da inteligência artificial, maior poderá ser a humanização da assistência.”

Essa perspectiva também aparece em sua concepção de liderança. Para Pallamolla, ouvir equipes e acolher opiniões divergentes são atitudes fundamentais em um setor no qual as decisões impactam diretamente a vida das pessoas.

Reconhecido entre os 100 Mais Influentes da Saúde 2026, o CEO recebe a homenagem como reconhecimento de uma trajetória construída coletivamente e como estímulo para continuar defendendo a inovação e o desenvolvimento tecnológico no país.

Para o executivo, o Brasil reúne capacidade científica, talento e criatividade para avançar na produção de tecnologias para a saúde. O desafio, agora, é transformar esse potencial em soluções competitivas e capazes de gerar impacto.

Leia essa e outras matérias na edição 105 da Revista Heathcare Management