Com governança, dados e cultura, hospital conecta energia e utilidades à eficiência operacional, sustentabilidade e qualidade assistencial

Em um hospital de alta complexidade, eficiência energética atravessa a operação, a segurança do paciente, a sustentabilidade financeira e a capacidade de manter sistemas críticos em funcionamento ininterrupto. No Hcor, essa agenda deixou de ser frente técnica para se consolidar como parte da estratégia institucional.

Fundado pela Associação Beneficente Síria e comemorando seu cinquentenário em 2026, o hospital opera cinco unidades e um centro próprio de medicina diagnóstica. Nesse contexto, energia, climatização, água e aquecimento passaram a ser tratados como componentes centrais da eficiência hospitalar. “A eficiência energética passou a ser incorporada de forma estruturada à estratégia institucional, alinhada aos compromissos da instituição com sustentabilidade, eficiência operacional e qualidade assistencial”, afirma Walmor Brambilla, superintendente de Infraestrutura e Logística do Hcor.

O desafio é próprio da saúde: intervir em infraestrutura sem comprometer a continuidade assistencial. Em ambientes que operam 24 horas por dia, projetos dessa natureza precisam considerar protocolos regulatórios, segurança das equipes e resiliência operacional. A sustentabilidade, nesse contexto, não pode ser dissociada do cuidado.

Entre as soluções adotadas estão automação predial com Building Management System (BMS), retrofit de iluminação com LED, modernização de climatização e ventilação, atualização do aquecimento de água com substituição gradual de fontes fósseis por soluções eletrificadas e monitoramento em tempo real dos principais consumos.

Um dos marcos recentes é a modernização do sistema de climatização, viabilizada por chamada pública do Programa de Eficiência Energética, operacionalizado pela Enel. O projeto prevê investimento de R$ 4,4 milhões e economia anual próxima de R$ 1,4 milhão, com expectativa de redução de 3.043,19 MWh por ano. A substituição de um chiller por tecnologia mais eficiente amplia o controle de temperatura e qualidade do ar, fatores ligados à segurança assistencial.

A gestão de utilidades avançou em governança com a adoção de indicadores e rotinas de acompanhamento mais estruturadas, aproximando as áreas de engenharia, operação, gestão ambiental, assistência e alta liderança em torno de uma mesma leitura de desempenho.

A agenda hídrica reforça essa visão integrada. A instituição já registra redução aproximada de 10% no consumo de água, resultado de uma atuação estruturada em governança e sustentabilidade. Nesse contexto, iniciativas como o Comitê ESG, o Diagnóstico de Maturidade ESG, a adesão ao Pacto Global da ONU e a integração à rede Hospitais Saudáveis fortalecem a conexão entre operação, responsabilidade ambiental e estratégia institucional.

 

 

Nesse sentido, campanhas, treinamentos, letramento em sustentabilidade e um Squad ESG multidisciplinar ajudaram a transformar a eficiência energética em uma prática transversal. “A mudança cultural foi tratada como elemento essencial para a consolidação da estratégia”, destaca Brambilla.

O case mostra que sustentabilidade deixou de ser discurso e passou a orientar decisões, investimentos e rotinas. A experiência do Hcor evidencia que, em hospitais de alta complexidade, a eficiência energética é parte da segurança operacional, da governança e da sustentabilidade do cuidado.

 

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