“Eu precisava correr atrás dos médicos para entender as letras que eles escreviam e conseguir faturar os serviços”, recorda Paulo Magnus sobre sua experiência no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, muito antes de transformar tecnologia em estratégia para a saúde. Ainda jovem, ele viu de perto o peso dos processos manuais em uma operação que dependia de papel, interpretação e esforço cotidiano para funcionar.

A experiência ajudou a formar uma convicção que acompanharia sua trajetória como empreendedor: a tecnologia só faz sentido quando reduz o esforço de quem cuida e aumenta a segurança de quem é cuidado. Engenheiro eletricista, Magnus fundou a MV em Porto Alegre, “sem estrutura, sem capital e sem qualquer garantia de que a tecnologia teria espaço na gestão da saúde brasileira”.

Um ano depois, levou a empresa para Recife.

“Tudo o que a MV é hoje começou como uma aposta de um jovem que não tinha rede de proteção, só direção”, reflete.

Quase quatro décadas depois, essa aposta se consolidou em uma multinacional líder em transformação digital da saúde na América Latina.

Ao longo desse período, Magnus liderou a transição do papel para o prontuário eletrônico, da informatização para a interoperabilidade e, mais recentemente, para a inteligência artificial aplicada à decisão clínica e à gestão.

Entre os marcos de sua liderança, Magnus destaca pioneirismos como a Unimed Recife, primeiro hospital digital da América Latina com tecnologia MV, o Minha Saúde, no Espírito Santo, que conecta a rede pública e privada de saúde de um estado, e, em Goiás, o cadastro e o prontuário únicos, integrados a um Command Center com inteligência artificial, que geraram ganhos de eficiência equivalentes à criação de um novo hospital. Para ele, esses avanços indicam uma transformação para um modelo de cuidado mais integrado, contínuo e acessível. 

“Esse reconhecimento não se restringe ao potencial de transformação digital da MV. Ele faz parte de um legado maior”, reflete o CEO.

Esse legado também passa pela cultura interna. Ele cita o dado de que 82% dos colaboradores dizem sentir orgulho de trabalhar na MV, segundo o GPTW.

“Esse dado vale tanto quanto qualquer ranking de mercado”.

Sua forma de liderar é sustentada pela proximidade com a operação. Em um setor que muda continuamente, afirma ter aprendido que liderança exige mais humildade do que autoridade.

“Não posso liderar com as respostas de ontem. Preciso estar perto do médico, do gestor hospitalar e do paciente para entender o que realmente resolve o problema deles”, afirma.

Isso orienta também seus princípios. Segurança do paciente, validação rigorosa, proximidade com quem usa a tecnologia, ética e transparência no uso de dados são, para Magnus, pontos inegociáveis:

“Sem essa confiança, nenhuma tecnologia se sustenta”.

Ao olhar para o futuro, resume sua ambição em uma visão de saúde conectada, menos fragmentada e centrada no cidadão.

“Meu sonho é ver a saúde brasileira funcionando sem barreiras”.

Para Magnus, isso significa sistemas que conversem entre si, inteligência artificial a favor de quem cuida e dados nas mãos das pessoas. Mais do que digitalizar a saúde, seu legado é contribuir para que a transformação digital deixe de ser promessa e se torne parte da rotina de quem cuida e de quem é cuidado.

Leia essa e outras matérias na edição 105 da Revista Heathcare Management