Para Hilton Mancio, liderar uma organização de saúde significa equilibrar duas dimensões que nem sempre caminham juntas: a racionalidade da gestão e a sensibilidade diante das pessoas. Foi justamente essa mudança de perspectiva que transformou sua forma de exercer a liderança em uma instituição filantrópica.
Acostumado a ambientes em que os resultados financeiros orientavam as decisões, encontrou no Tacchini Saúde uma realidade em que cada escolha retorna diretamente para a comunidade. A convivência diária com pacientes, profissionais e famílias ampliou sua compreensão sobre o impacto social da gestão hospitalar. Desde então, passou a defender que “números e eficiência são indispensáveis, mas só fazem sentido quando contribuem para melhorar a vida das pessoas.”
Essa visão também redefiniu sua forma de tomar decisões. Ética, honestidade e respeito sempre permaneceram inegociáveis. O que mudou foi a compreensão de que o processo mais eficiente nem sempre é o melhor para todos.
“Quando o paciente ocupa o centro da estratégia as respostas se tornam mais claras, mesmo que isso exija rever modelos consolidados, redesenhar fluxos e incorporar novas tecnologias”, explica.
Entre os momentos que mais marcaram sua gestão está a implantação integral do prontuário eletrônico, em um período em que a digitalização hospitalar ainda avançava no país. A mudança representou uma ruptura cultural dentro da instituição. O processo exigiu diálogo permanente, adaptação e uma liderança próxima. O resultado foi um avanço em segurança assistencial, produtividade e integração dos processos clínicos.
Conduzir uma instituição centenária também exige compreender a diferença entre tradição e permanência. Para o CEO, tecnologias, ferramentas e formas de gestão evoluem, mas o propósito permanece o mesmo: ampliar o acesso à saúde e contribuir para a qualidade de vida da comunidade.
Sua atuação ultrapassa os limites da instituição. Participa de iniciativas voltadas ao planejamento regional, como a liderança da Câmara Técnica da Saúde do movimento Bento +20, que reúne diferentes setores para discutir o futuro de Bento Gonçalves (RS). Na sua avaliação, “compreender as mudanças epidemiológicas e antecipar necessidades é tão importante quanto responder às demandas imediatas da assistência.”
Em um cenário marcado por crescentes complexidades, Mancio defende que a capacidade de adaptação tornou-se uma competência indispensável. Em vez de reproduzir modelos do passado, acredita que as organizações precisam desenvolver novas formas de trabalho, preservando valores enquanto constroem soluções.
O desenvolvimento de lideranças ocupa papel central nessa estratégia. Para ele, formar gestores significa preparar pessoas capazes de tomar decisões difíceis sem abrir mão do respeito, da escuta e da confiança.
Reconhecido entre os 100 Mais Influentes da Saúde de 2026, Hilton Mancio entende que a influência se constrói pela capacidade de participar dos espaços onde o futuro da saúde é debatido.
“Meu objetivo é continuar contribuindo para políticas, decisões e iniciativas que fortaleçam a assistência regional e promovam mudanças duradouras na vida das pessoas”, destaca.