A incorporação da Inteligência Artificial à saúde tem ampliado o debate sobre o futuro da assistência. Em meio ao avanço das tecnologias, uma questão permanece no centro das discussões: como utilizar a inovação para fortalecer o trabalho das equipes sem substituir a autonomia dos profissionais?
Essa reflexão orienta a atuação da Telepatia, empresa criada a partir da experiência pessoal de seu fundador, Nicolás Abad. Após perder o pai em decorrência de uma interação medicamentosa contraindicada, ele passou a estudar os desafios dos sistemas de saúde e decidiu direcionar sua trajetória ao desenvolvimento de soluções capazes de apoiar a prática médica. O próprio nome da empresa é uma homenagem ao pai, conhecido pelo apelido que inspirou a marca.
A proposta parte de um desafio conhecido pelos hospitais: enquanto a demanda por atendimento cresce, médicos e enfermeiros ainda dedicam grande parte da rotina a atividades administrativas. Para a empresa, reduzir esse tempo significa ampliar a disponibilidade para o cuidado direto ao paciente.
“A tecnologia não substitui o raciocínio médico, mas pode devolver tempo ao profissional e atuar como ferramenta de apoio à decisão no ponto de atendimento”, conclui o fundador.
A plataforma utiliza Inteligência Artificial para transcrever consultas, recuperar informações relevantes do histórico clínico e sugerir melhores práticas assistenciais. Entretanto, todas as recomendações permanecem sob responsabilidade do médico. Segundo Abad, preservar a autonomia clínica é um princípio fundamental para que a tecnologia seja incorporada de forma segura.
Outro aspecto destacado pelo executivo é que inovação depende tanto da tecnologia quanto da compreensão da realidade dos hospitais. Por isso, além do desenvolvimento dos modelos de IA, a empresa investe na integração com os sistemas das instituições e no acompanhamento das equipes para adaptar a ferramenta aos fluxos reais de trabalho.
Além de apoiar a decisão clínica, a utilização de dados em tempo real permite identificar riscos assistenciais, acompanhar pacientes e contribuir para uma gestão mais eficiente dos recursos. Na visão de Abad, esse movimento representa uma mudança importante na forma de cuidar, tornando a assistência cada vez mais preventiva e personalizada.
Ao olhar para os próximos anos, o executivo acredita que a Inteligência Artificial contribuirá para aproximar a prática clínica das evidências científicas e fortalecer modelos de cuidado mais proativos. Sem perder de vista, porém, aquilo que considera essencial:
“O acesso à saúde ainda é um recurso escasso, e nosso propósito é torná-lo abundante”, afirma Abad.