A decisão de Jefferson Caproni de dedicar a vida à saúde nasceu de uma experiência delicada. Ainda jovem, foi internado no Hospital Municipal do Campo Limpo, em São Paulo, com trombose venosa profunda e risco de embolia pulmonar. Diante da possibilidade de amputação de uma perna, fez uma promessa: se fosse curado, dedicaria a vida a salvar outras vidas.
“Durante um ano e meio de tratamento, vi, dia após dia, todo o empenho e a dedicação com que enfermeiros, auxiliares e técnicos me apoiaram, me deram carinho e cuidaram de mim”.
A promessa se transformou em profissão, militância e liderança. Hoje, presidente do SinSaúdeSP, coordenador da Comissão Nacional de Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do COFEN, diretor da Força Sindical e delegado oficial do Brasil na OIT, Caproni construiu sua trajetória na defesa dos profissionais que sustentam a assistência na linha de frente. Para ele, representar atores da saúde exige sua presença constante, escuta e capacidade de articulação:
“Não é apenas trabalho, é trabalho com dignidade profissional”
O SinSaúdeSP foi o primeiro sindicato do país a incluir em convenção coletiva o Piso Salarial da Enfermagem, uma pauta que Caproni define como histórica para a categoria. Ao ser eleito um dos “100 Mais Influentes da Saúde 2026”, faz questão de coletivizar a honraria. Ele também destaca a luta pela Aposentadoria Especial dos profissionais da saúde, vinculada ao reconhecimento do risco biológico e a vitórias judiciais que fortaleceram a jurisprudência em favor dos trabalhadores.
Entre diretores, advogados, profissionais da saúde e trabalhadores ouvidos nas unidades, Caproni reconhece múltiplas influências. Mas aponta uma origem afetiva para sua forma de conduzir:
“Minha maior influência, meu maior exemplo, o farol da minha vida sempre foi e sempre será minha amada mãe”.
Caproni lembra o período em que sua família chegou a morar nas ruas de São Paulo e contrasta essa história com a responsabilidade de representar trabalhadores brasileiros em conferências internacionais. Na OIT, atuou em debates sobre risco biológico, trabalho em plataformas, economia do cuidado, novas tecnologias e questão de gênero, sempre conectando a agenda global à realidade dos profissionais da saúde no Brasil.
Os desafios, segundo ele, seguem diários. A pandemia reforçou a urgência de valorizar quem esteve na linha de frente, muitas vezes sem condições adequadas de proteção.
“Os nossos ‘Heróis da Saúde’ não podem ser esquecidos, nem os que perderam a vida, nem os que continuam na linha de frente”.
Para Caproni, a memória desse período precisa se traduzir em direitos, proteção e reconhecimento permanente.
O que defende para o futuro é que o profissional da saúde deve ser tratado como prioridade nacional. Esse princípio sustenta a atuação do sindicato, a busca pela manutenção de direitos e a construção de novas conquistas para auxiliares, técnicos, enfermeiros e demais trabalhadores do setor.
“A Justiça não atende aos que dormem e a atual gestão do Sindicato da Saúde de São Paulo não negocia a dignidade dos trabalhadores”.
A frase resume a marca da liderança de Jefferson Caproni, que transforma experiência em compromisso público e representação sindical em uma agenda de dignidade para quem cuida.